segunda-feira, 14 de junho de 2010

Menino de Rua


Quero ser igual a todos da minha idade.
Ter escola, família, lazer,
Uma cama quentinha ao anoitecer
E pão para comer ao amanhecer.
Quero ser igual aos que passam por aqui todos os dias.

Meus amigos são os mendigos adultos.
Com eles não tenho o que conversar
Muito menos o que brincar.

O que a vida me oferece e pouco demais
Do muito que quero, sonho e que busco todos os dias
Vejo crianças indo para escola e penso
“Será que o meu dia vai chegar?”

Não quero virar delinqüente,
Só quero ser igual a toda gente.
A fome que sinto me chama para o crime,
Que é a vida mais rápida.
Entrando nele será que eu saio
Da miséria, do fracasso, da mesmice?
Não. Quero viver como a maioria

Comida! Só sinto o cheiro.
Que aumenta a minha fome descontroladamente.
Se chego perto de alguém para pedir algo,
Correm de mim pensando que sou delinqüente,
E estou ali esperando alguém para atacar.

O fracasso, a insegurança, a angústia,
A fome, a incerteza de dias melhores,
São meus companheiros.
À noite eles vêem Comigo deitar,
Com isso me impedem de sonhar.

Não quero nada,
Só quero ser eu.
Poder falar e existir.
A minha vida precisa acontecer
Como a de todos.
Quero saber aonde vou e onde quero chegar. Autora: Sely Pires de Siqueira.

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