segunda-feira, 21 de junho de 2010

História que ouvi de meu pai!




Quando eu era pequena meu pai me contava vários casos que havia acontecido com ele, não sei se era verdade, mas eu acreditava. Dentre os casos que ouvi, um me chamou atenção, foi a do defunto fedido.
Por morar no interior de Minas Gerais, muito longe da cidade, quando adoecia alguém naquela região, era um dilema. Pra chegar ao recurso tinha que andar a pé, depois esperar carona em uma estrada que dificilmente passava carro por lá. Em certos casos o doente morria no meio do caminho.
Certo dia meu pai estava se preparando para dormir quando o senhor Gumercino, seu vizinho, chegou desesperado dizendo que o seu filho João estava muito doente e pediu para que ele o ajudasse levá-lo até a cidade. Meu pai não pensou duas vezes, colocou umas peças de roupa no saco e acompanhou o senhor Gumercino até a casa dele.
Chegando lá se deparou com um quadro crítico, João deitado em uma rede com uma febre muito alta e sem dar conta de andar. Meu pai e o senhor Gumercino foram logo pegando o jovem, que pesava mais ou menos uns oitenta quilos, para levá-lo até o recurso. Andaram com o rapaz em uma rede com uma padiola, a noite toda, quando um cansava o outro pegava, sem parar.
Ao amanhecer chegaram ao lugar onde possivelmente poderia passar um carro. Esperaram e com muito custo passou um carro, era um carro bem velho, pediram carona e seguiram estrada a fora. João já estava muito ruim.
Durante essa longa viagem aconteceram várias coisas, o carro quebrou, a gasolina acabou, e João só piorando, sem falar da estrada ruim.
A certa altura da viagem, João morreu. Com a morte de João eles resolveram voltar. Aí que ficou complicado mesmo. Não tinham mais um doente, mas sim um defunto que com o passar das horas começou a cheirar mal.
A viagem foi tão longa que quando eles chegaram à casa do senhor Gumercino, o defunto já estava fedendo e duro. Imagine pra tirar um defunto fedido e duro de dentro de um carro pequeno e ele sentado, que piorava ainda a situação. Com muito custo conseguiram.
Veja só, um defunto com a posição curvada como iriam enterrá-lo. Meu pai sugeriu que o jogasse dentro da cova daquele jeito, a mãe do defunto começou a chorar dizendo que queria enterrá-lo envolvido em um lençol, como era enterrada todos que morriam por ali.
Diante do pedido da mãe, eles colocaram o defunto no chão e começaram a esticá-lo, quebrando os seus braços e pernas. Eles nunca viram cheiro mais horrível.
Fizeram o enterro. Para o meu pai foi um alívio, pois o cansaço era enorme. Meu pai tomou um banho, mas o odor não saia de seu nariz. Esse cheiro horrível o acompanhou durante muitos anos.
Passaram-se muitos anos, o odor do defunto já não existia mais. Meu pai resolveu fazer uma caçada no mato, fez o que ele chamava de espera. Chegou ao lugar marcado para a espera. Armou a rede em cima da árvore, deitou como de costume e ficou esperando o bicho chegar para matá-lo.
As horas foram passando e meu pai começou a sentir algo estranho. Um medo enorme evade aquele lugar. Para aumentar ainda mais o medo, o odor do defunto voltou. Ele ficou ali sem saber o que fazer. Com muito medo conseguiu levantar e pegar o trieiro para ir embora. No meio do caminho ele ligou a lanterna e avistou uma mulher horrível bem distante que dançava sem parar.
O medo foi muito grande, mas não tinha outra solução só se passava ali e assim ele seguiu caminho a fora. Chegando perto ele já estava pra desmaiar de tanto medo, percebeu que era uma planta que estava se movendo pelo forte vento que havia naquele lugar e que não havia mulher nenhuma.
Depois deste episódio meu pai ficou muitos dias sem querer caçar. Bom para os bichos que puderam viver em paz.

Um comentário:

  1. Gostei da história, mas a escolha da imagem (três escravos e um "senhor" sendo transportado na rede) foi infeliz.

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