segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tarde demais













A solidão me consome a cada instante,
Neste quarto frio, olho com intenção de ver algo que me atraia
Vejo só a solidão, o abandono e o desprezo de olhares assustadores.

Aqui só vejo pessoas tristes, sem amor,
Vítimas de suas escolhas fracaçadas.

Não vejo mais o dia que nasce,
O sol que se põe, o orvalho que cai,
Os pássaros! Não os ouço mais cantar,

Não vejo mais as ondas do mar
Não vejo mais meu filho que cresce,
Minha mãe que envelhece.
Meu pai que tocava sua viola apaixonado
Pela dor que lhe consumiu aos poucos
Pelas lembranças de uma filha que
Talvez fosse melhor não tê-la.

Minha vida parou no tempo junto com os meus sonhos.
Se fosse sonhar teria que ser para daqui a uns quinze anos.
Tarde demais.


As drogas me colocaram neste lugar,
Onde tenho por companhia os ratos, as baratas
O medo, a angústia, os gritos de desespero,
E a morte que me rodeia em cada rebelião tramada.

Liberdade!
Daria tudo para tê-la novamente.

Agora só me resta chorar
Por não ter tido forças para “dela” me separar.
Envolvi-me de corpo e alma num caminho sem volta.
Nada me saciava, queria mais e mais.

Daria tudo para voltar atrás e fazer diferente
Só queria viver.
Drogas?
Eu jamais iria experimentar.


Professora Sely Pires de Siqueira. 2011.

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